O mingau, o cereal, a evolução da inutilidade
a idade das espinhas, a cara vermelha, a cara pálida
os fones no ouvido, a música na cabeça, a língua cálida
o beijo de língua, a essência do homem, essa infelicidade!
Apanhe o metrô no centro, ignore, passe duas estações
outono e inverno, a chuva na cidade, eu, alegre quando chove
chuva nas bochechas, trilha de rouge marcando o descontentamento
o testamento errado, deixo nada pra vocês, vampiros e ações
O detetive, a foto, a porta de vidro, marcada à sangue
meu nome é bonde, do desejo, dos arcos da Lapa
a capa comprida, inglesa, a dedução, o ônibus
vermelho, a foice e o martelo, a neve que derrota
E o que vem abaixo agora? O que cai sobre mim?
Além de sua ausência, da ciência do impossível vazio
da noite sem estrelas, do oceano sem água, do aço macio
tantas coisas me fazem chorar, mas nada como você
Nesse caminhar tranquilo, tropeçante, pela margem
nessa terra de Poti, nessa incerteza correta da viagem
perco o tempo de meus filhos, me perco, falhei
entre um olhar rasteiro e uma imprecisão na alma.
